A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) encerrou a fase de testes da primeira edição de seu Sandbox Regulatório em Inteligência Artificial e proteção de dados. O programa acompanhou, em ambiente controlado, três tecnologias voltadas à saúde, ao setor financeiro e à mobilidade urbana.
Segundo comunicado divulgado pela agência em 5 de novembro de 2026, o relatório técnico final dessa etapa reúne os aprendizados das experiências conduzidas com apoio metodológico do Centro de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina da Universidade de São Paulo (CIAAM/USP). A conclusão da fase experimental não significa a aprovação automática das soluções ou o encerramento de todas as avaliações institucionais.
O que os testes mostraram
No setor de saúde, a avaliação de um sistema de apoio à decisão médica destacou a necessidade de supervisão profissional e de proteção de dados sensíveis. A agência observou que essas aplicações não podem substituir a responsabilidade clínica dos médicos.
No setor financeiro, o programa analisou mecanismos destinados a reduzir riscos de vazamento de informações em operações com agentes e modelos de IA. Em mobilidade, os testes de um sistema de rotas para pedestres levantaram questões sobre geolocalização, acessibilidade e tratamento de dados pessoais.
Os resultados serão utilizados pela ANPD como subsídios para futuras orientações regulatórias. Ainda está prevista uma avaliação própria da comissão responsável pelo programa, distinta do relatório técnico elaborado com apoio acadêmico.
Nova etapa terá foco em jogos digitais
A agência também anunciou a preparação de uma segunda edição do Sandbox, dedicada ao uso seguro e equilibrado de jogos digitais por crianças e adolescentes. A iniciativa está sendo estruturada com participação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Os futuros testes deverão investigar práticas de design que podem incentivar uso excessivo, como notificações recorrentes e recompensas associadas ao tempo de tela. A seleção dos participantes ainda ocorrerá em etapas: primeiro uma instituição acadêmica ou científica; depois desenvolvedoras de jogos.
A ANPD ressaltou que o objetivo é produzir evidências e orientar boas práticas de proteção de dados e segurança digital. Não houve anúncio de uma regra definitiva para todos os jogos nem de sanções decorrentes desses testes.
Por que a notícia importa
A experiência aproxima a discussão sobre inteligência artificial de problemas cotidianos: privacidade de pacientes, segurança de operações digitais, deslocamento de pedestres e proteção de crianças no ambiente online. O novo ciclo poderá ajudar a fundamentar recomendações técnicas, sem substituir o processo regular de elaboração de normas.
Fonte primária: Agência Nacional de Proteção de Dados — comunicado de 5 de novembro de 2026.